Estádio sustentável

O Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha caminha para ser o primeiro na história a receber o certificado máximo de sustentabilidade. O selo Leed Platinum – entregue após a conclusão da obra – é reconhecido internacionalmente e garante que a construção é altamente sustentável. Hoje, nenhum estádio de futebol no mundo possui o selo Platinum.

O conceito de arena verde começou ainda na criação do projeto. Muitos dos materiais utilizados na obra são recicláveis ou foram reciclados na construção. Tudo o que saiu do antigo estádio foi reaproveitado na própria obra ou em cooperativas de reciclagem do Distrito Federal.

O entulho de cimento/concreto retirado do estádio foi encaminhado a uma área licenciada pelo Ibama apta a receber entulho de obras, em Sobradinho (DF). No local, o material foi transformado em brita e aproveitado em outras áreas da capital federal; o entulho obtido da derrubada da última arquibancada foi transformado em brita no próprio estádio e reutilizado na concretagem do piso da obra.

Todo o material de ferro foi enviado à Centcoop, uma cooperativa de reciclagem do DF. A areia e o cascalho que estavam debaixo do gramado foram reaproveitados na obra do novo Estádio Nacional de Brasília; as cadeiras do antigo estádio foram reutilizadas no Estádio Serejão, em Taguatinga (DF) e as redes no estádio do Bezerrão, no Gama (DF). O gramado anterior foi cultivado no viveiro da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap), para posterior reutilização nos canteiros da capital federal.

Água e energia - A arena contará, ainda, com captação de energia solar e de água da chuva. A geração de energia ocorrerá por meio da instalação de placas fotovoltaicas no anel de compressão, grande aro em concreto com 1km de circunferência que sustenta a cobertura. Serão dispostas 9,6 mil placas, com capacidade para gerar 2,5 megawatts de energia, o que corresponde ao abastecimento de quase 2 mil residências por dia.

Já o armazenamento da água da chuva se dará por meio de um sistema formado por cinco cisternas no interior do estádio e um lago de retenção no entorno, na área mais baixa do terreno. A água da chuva será captada pela cobertura e pelo piso permeável em volta do estádio.

A água não potável será utilizada nos vasos sanitários e mictórios, na irrigação do gramado e na lavagem em geral. O sistema todo armazenará 6,84 milhões de litros de água. Isso representa 80% da demanda de água do estádio e equivale a encher duas piscinas olímpicas e duas semiolímpicas.

Foto: Lula Lopes/ComCopa
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Cobertura - A cobertura do Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha é uma das inovações tecnológicas que a obra exibirá. Funcionando como sistema de “roda de bicicleta invertida”, ela é composta por uma estrutura tensionada com cabos e treliças metálicas revestida por uma membrana que cobre todos os assentos do estádio. A cobertura é um instrumento importante no quesito sustentabilidade.

Com propriedades especiais, a membrana de 90 mil m² é autolimpante. Ela é revestida de PTFE (politetrafluoretileno) com TiO2 (dióxido de titânio) – uma combinação de fibra de vidro (material base) revestido de PTFE com propriedades fotocatalíticas. O dióxido de titânio libera moléculas de dióxido de oxigênio quando exposto ao sol – o processo chama-se fotocatálise. Essas moléculas dissolvem a poeira e o produto é “varrido” pela água da chuva. Com isso, até mesmo a sujeira acumulada durante o período da seca será removida já nas primeiras chuvas.

Isso significa que, quando a membrana entrar em contato com o sol, ocorrerá a decomposição da sujeira. Desta forma, a cobertura do Estádio Mané Garrincha retirará da atmosfera gases poluentes do ar, o equivalente ao produzido por cerca de mil veículos por dia.

O material também não pega fogo. A cobertura branca ainda libera a passagem de iluminação natural e reflete os raios solares, o que reduz também o calor interno e a necessidade do uso de ar condicionado ou outro tipo de ventilação artificial.

Para economizar e otimizar a iluminação de algumas áreas do estádio, são utilizadas lâmpadas de tecnologia LED. Elas duram mais horas e podem gerar economia de até 20%. Como não emitem calor, evitarão que o ambiente esquente, demandando menor uso de ar condicionado.

Fonte: Brasil na Copa

Arpressi